Sexta-feira, Dezembro 9, 2022

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Covid-19, Rússia Vs Arábia Saudita, Impacto na Economia Angolana

Os preços do barril de petróleo caíram cerca de 30% na última semana, resultante da falta de um acordo de corte de produção adicional entre os membros da coalizão OPEP+. A Arábia Saudita membro líder do cartel da OPEP e a Rússia que lidera os 11 países não-OPEP que em finais de 2016 acordaram em restringir a oferta de crude no mercado e assim aumentar os preços nos mercados internacionais.  

Facto é que a pressão combinada do não-acordo entre a Arábia Saudita e a Rússia na última reunião extraordinária da OPEP+, e o inesperado anúncio da Arábia Saudita de aumentar os níveis de produção de modos a afundar o mercado com petróleo em resposta ao posicionamento da Rússia em não aprofundar os cortes, levou com que os preços do crude colapsassem 30%, desvalorização similar apenas vista no período da guerra do Golfe.  

No entanto, um factor ainda mais abrangente tem afectado tanto o mercado petrolífero como a economia global. A disseminação do coronavírus afundou os preços do crude no mercado internacional em pelo menos 17%. As refinarias a nível global reduziram as taxas diárias de processamento, sendo que as chinesas já reduziram até 25%, ainda no lado da demanda, a América Latina interrompeu o fluxo de petróleo canalisado para China em mínimos históricos, sendo que não há carregamentos de petróleo do Brasil de Colômbia destinados à China, o que forçou a China reduzir a importação de petróleo em cerca de 2-3 MBPD. O Covid-19 também tem afectado significativamente a oferta de petróleo no mercado, devido as restrições de mobilidade e o alastramento das contaminações que tem obrigado a paralisação de muitas plataformas produtoras de petróleo em todo mundo. 

O Brent benchmark para as ramas angolanas está actualmente a ser valorizado ao preço de $35-38/bbl, causando um impacto negativo à economia angolana, uma vez que o principal instrumento económico (OGE), prevê um preço de $55/bbl. Não obstante, estudos realizados pela PETROANGOLA apontam que até a data, o preço do Brent apresenta uma média ao longo do ano 2020 (Jan-Mar) de $55,15/bbl. Desta forma, pensamos não ser prudente fazer-se uma revisão ao OGE, tendo em conta que o nível de incerteza do mercado está muito alto devido a propagação do Coronavírus, o que dificulta fundamentar uma revisão imediata do OGE, em adição, é essencial frisar que o preço previsto no OGE se refere a uma média anula, sendo que os preços poderão subir nos próximos meses.  

Entendemos que a Rússia e a Arábia Saudita poderão chegar a um acordo brevemente, uma vez que os dois países não sobrevivem aos baixos preços do barril de petróleo, face aos défices orçamentais e elevados break-evens. A Arábia Saudita está a ser pressionada pêlos produtores do Médio Oriente devido ao risco da perda de market share fruto do aumento de produção e saldos na venda do crude saudita. A Rússia pode balancear o seu orçamento com o preço do barril de petróleo na ordem dos $42/bbl, mas os seus maiores produtores enfrentam um preço de break-even de até $51/bbl. As supermajores Exxon, Shell, BP, Total e Chevron, apresentam preços de break-even que rondam os $40-50 em média por barril produzido, tornando a situação de baixos preços insuportável para os principais players do sector. 

O Coronavírus tem impactado tanto a demanda como a oferta de petróleo no mercado internacional, sendo a demanda a parte mais prejudicada com um decréscimo de 3,8 MBPD. A propagação do vírus tem reduzido o desenvolvimento económico e o consumo de energia global, trazendo consequências devastadoras as economias petro-dependentes, como é o caso de Angola. No entanto, pensamos ainda ser prematuro a revisão do Orçamento Geral do Estado, visto que não existe ainda opções para a fundamentar esta opção, estando tudo a depender de uma possível cura para o Covid-19, o que irá efectivamente aumentar o apetite por crude e elevar os preços. Não obstante, pensamos ser prudente a elaboração da programação macroeconómica com cenários mais conservadores de modos a dar resposta adequada caso a baixa dos preços do petróleo nos mercados internacionais persistir.  

Por: Patrício Wanderley Quingongo 

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