Domingo, Outubro 2, 2022

Rendimentos das Principais Companhias Petrolíferas – 2º Trimestre 2020

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As maiores companhias petrolíferas do mundo começaram a apresentar o balanço dos resultados do 2º trimestre do ano em curso, sendo que a maioria das empresas apresentaram resultados negativos.  

A Royal Dutch Shell reportou uma perda trimestral de $18 biliões, agravada por uma redução de $16,8 biliões numa série de activos. A enorme perda ocorreu depois de ter ganho $3 biliões no 2º trimestre de 2019 e reportado um lucro de $2,7 biliões no 1º trimestre deste ano, tendo alcançado apenas um lucro de líquido de $638 milhões após exclusão e redução de outros itens pontuais.

A redução de $16,8 mil milhões era esperada, ainda assim, o número é impressionante, com imparidades relacionadas com o GNL, com preços mais baixos do petróleo bruto e margens de refinação mais baixas. O rácio da dívida líquida para o capital, subiu para 32,7%, acima dos 28,9% registrados no final do 1º trimestre.  A Shell alertou que poderá ter de reduzir a produção no 3º trimestre devido a preocupações com a procura, o que provavelmente terá vários impactos nas métricas operacionais e financeiras. 

Entretanto, outras empresas também reportaram perdas de rendimentos no 2º trimestre do ano. A Eni registrou um prejuízo líquido de $4,41 biliões, tendo atingido resultados semi-lucrativo com  um prejuízo global na ordem dos $7,34 biliões. O valor inclui uma imparidade de $3,5 biliões, em grande parte fruto da redução dos pressupostos do preço do barril do petróleo. A petrolífera italiana também cortou o capex de forma mais profunda e reajustou a sua política de dividendos para acompanhar os preços do petróleo, em vez de um pagamento fixo dos accionistas.

A ConocoPhillips registou um prejuízo de $1bilião no 2º trimestre, com cerca de 1/4 da sua produção paralisada durante o 2º trimestre. A empresa espera repor a produção online e restaurar totalmente a produção até Setembro do corrente ano.  

A Total anunciou uma imparidade de $8 biliões sobre o valor dos seus activos, em grande parte relacionados com as áreas petrolíferas do Canadá. A gigante petrolífera francesa vai apresentar os resultados trimestrais ainda nesta semana.  

Porém, há um lado positivo para a Shell e algumas das outras grandes empresas Europeias, uma vez que puderam aproveitar-se da extrema volatilidade dos preços para lucrar com a comercialização. Por exemplo, os $1,5 biliões da Shell em receitas de negociação foram 30 vezes superiores ao mesmo período do ano anterior, e depois de excluir itens pontuais como a imparidade massiva, os ganhos de negociação permitiram que os resultados ajustados viessem a sair em território positivo.  Contudo, isso não é algo que os grandes podem apostar e avançar. A negociação não será capaz de compensar as perspetivas de declínio do seu core business, que é produzir e refinar petróleo e gás.  É neste contexto que as empresas olham de forma agressiva para as tendências da procura a longo prazo.  

Por outro lado, por detrás da grande redução da Total esteve uma revisão em baixa nos preços do petróleo a longo prazo. A empresa assume que o Brent terá uma média de $56,80/bbl entre 2020 e 2050, o que parece ser uma admissão de que os preços provavelmente não irão subir no futuro, ou pelo menos, não aumentarão por qualquer período por um longo período de tempo. Contudo, para além de 2030, a procura de petróleo terá atingido o pico e irá convergir para $50/bbl a longo prazo.

A Total procedeu a uma revisão do risco de activos encadeados referentes às reservas superiores a 20 anos e com elevados custos de produção. As áreas petrolíferas do Canadá são as vítima mais provável de tal análise. Dos $8 biliões, cerca de 90% desse montante concentram-se nas áreas petrolíferas do Canadá. 

A empresa francesa afirmou que deixaria de investir nas áreas petrolíferas do Canadá e deixaria igualmente a Associação Canadiana de Produtores de Petróleo (CAPP), um grupo comercial da indústria, devido ao desalinhamento entre as suas posições públicas, que parece ser uma referência às alterações climáticas. A Total perspectiva uma neutralidade carbónica até 2050.  

As duas gigantes petrolíferas americanas ExxonMobil e Chevron reportaram na última Sexta-feira que até à data, traçaram um rumo diferente dos seus homólogos europeus, resistindo aos esforços de transição para fontes de energia de baixo carbono.  

A Exxon também está a seguir uma estratégia diferente nas suas prioridades de gastos. A companhia espera reduzir o pessoal e aplicar cortes no capex, num esforço de preservar o seu dividendo. A empresa já havia contraído $18 biliões este ano para cobrir os custos e pagamentos dos accionistas. Todavia, esta dívida será necessária para manter esses pagamentos em andamento, contudo esta é uma estratégia que poderá não se manter para sempre. (Oilprice).

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