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Segunda-feira, Julho 15, 2024
 

Plataformas Petrolíferas Abandonadas Podem Contribuir Para Mitigação Das Mudanças Climáticas 

Os oceanos de todo mundo abrigam dezenas de milhares de plataformas petrolíferas abandonadas offshore, sendo mais de 32.000 somente nos EUA, e o Mar do Norte do Reino Unido enfrenta um cenário semelhante, com um aumento na desativação de plataformas à medida que os campos petrolíferos envelhecem e as políticas energéticas globais se afastam dos combustíveis fósseis. 

A inadequada gestão dessas plataformas pode acarretar sérios riscos ambientais. A Convenção Internacional Ospar estabelece que essas estruturas devem ser removidas. Mas alguns cientistas destacam que se forem desactivadas, mantidas e/ou adaptadas correctamente, podem proporcionar benefícios ambientais significativos. 

Nos Estados Unidos, mais da metade dos 55.000 poços sob a gestão do Bureau of Ocean Energy Management (BOEM) está permanentemente ou temporariamente abandonada, representando cerca de 58%. Essa proporção é substancial quando comparada às mais de 2.000 licenças de exploração de activos de petróleo e gás em uma área de 44.000 km2 da Plataforma Continental Exterior da América do Norte. 

A magnitude das infraestruturas abandonadas está diretamente ligada ao risco representado pelas plataformas órfãs. Os poços desactivados de maneira inadequada ou mal mantidos são mais propensos a vazamentos, representando ameaças à vida marinha, aos ecossistemas marinhos e às comunidades costeiras, além de impactar a economia. 

O derrame de petróleo da Taylor Energy, originado por um poço offshore no Golfo do México durante o furacão Ivan em 2004, continua a ser considerado como o derrame mais longo da história dos EUA. As reservas exploradas são suficientes para manter este derrame até pelo menos o ano 2100, caso não seja contido, de acordo com a Bureau of Safety and Environmental Enforcement (BSEE). 

Entretanto, essas externalidades negativas podem ser reduzidas e até mesmo revertidas com uma gestão adequada. AS plataformas petrolíferas abandonadas em diversas regiões, incluindo o Mar do Norte e o Golfo do México, já estão servem de recifes sintéticos valiosos para a vida marinha local. Activistas nos EUA e no Reino Unido protestam contra a remoção dessas estruturas, visando preservar o ecossistema marinho, que para algumas espécies é mais benéfico nas plataformas do que nos recifes naturais. 

Além de sua função como recifes artificiais, as plataformas petrolíferas abandonadas podem ser benéficas se adaptadas para capturar e sequestrar carbono da atmosfera e dos oceanos. Com pequenas modificações, o equipamento de bordo usado anteriormente para extrair petróleo e gás pode ser operado ao contrário para armazenar CO2, conforme demonstrado pelo Projecto Greensands da Dinamarca. O Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) também sugere que a extração de carbono diretamente das águas oceânicas pode ser mais eficiente. 

Embora o reaproveitamento dessas plataformas ofereça promessas, há sérios inconvenientes para o sequestro de carbono num contexto mais amplo. A captura e o armazenamento de carbono podem ser utilizados por empresas como uma estratégia de “lavagem verde”, permitindo que continuem com a extracção de combustíveis fósseis e emitindo carbono, utilizando a compensação de carbono como justificativa. 

Portanto, é essencial conduzir uma discussão diferenciada sobre o reaproveitamento de plataformas órfãs para garantir com que o dimensionamento e gerenciamento sejam feitos de forma responsável. Se realizados correctamente, a ética e transparência nessess esquemas podem contribuir significativamente para a redução dos danos ambientais e até mesmo proporcionar benefícios líquidos.

SourceOilprice

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